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South Coast da Islândia: roteiro completo de 3 dias para brasileiros

Aug 31
10 min read

Updated: 2 days ago

A Costa Sul da Islândia tem pouco mais de 400 quilômetros entre Reykjavík e Höfn. No papel parece razoável. Mas quando você encara a estrada, descobre que a maioria dos viajantes subestima a Islândia. As distâncias enganam e chegar em Jökulsárlón no escuro sem ter planejado onde dormir é um tipo de frustração que não precisa acontecer. 

Três dias resolvem isso. Este roteiro organiza cada um deles, com as paradas certas na ordem certa, dicas de onde comer e dormir na rota, e uma explicação honesta sobre a atração que mais aparece nas pesquisas de quem vai à costa sul no inverno: a caverna de gelo. 


Por que a Costa Sul merece 3 dias, e não um como a maioria dos tour oferece 

A lógica da maioria dos roteiros de um dia a partir de Reykjavík é incluir Seljalandsfoss, Skógafoss, Reynisfjara, Vík. Às vezes, dá para apertar também o glaciar Sólheimajökull, se o tempo permitir. A volta à capital é à noite e com todo mundo exausto. É uma versão funcional da South Coast da Islândia, mas deixa para trás tudo que está depois de Vík. E o que está depois de Vík é, na opinião de muita gente, o melhor da Islândia. 


Jökulsárlón fica a 375 quilômetros de Reykjavík. A Diamond Beach está logo ali do lado. A caverna de gelo parte desse mesmo ponto. Vestrahorn fica ainda mais a leste. Fazer tudo isso num único dia a partir da capital não garante que você vai ver tudo correndo e não vai se lembrar de nada com clareza. 


Com três dias, as atrações ficam mais bem divididas. O primeiro dia cobre o trecho mais denso até Vík, com as cachoeiras e a praia negra. O segundo dia vai fundo no leste, com a caverna de gelo, a lagoa glacial e a Diamond Beach. O terceiro dia volta para Reykjavík recolhendo o que ficou pelo caminho. Kirkjubæjarklaustur, a pequeníssima vila que todo mundo chama de Klaustur, fica no meio da rota. Por isso, é onde faz sentido passar as duas noites. 


Três dias na South Coast

Dia 1 — De Reykjavík a Vík 

A saída de Reykjavík é às 10h. A primeira parada não é uma cachoeira nem uma praia — é o Lava Centre, em Hvolsvöllur, um museu interativo sobre vulcanismo islandês que prepara o leitor para tudo que vem a seguir. A Islândia tem 33 sistemas vulcânicos ativos, e entender minimamente o que está por baixo da paisagem muda a forma como você olha para ela. O Eyjafjallajökull, o vulcão que em 2010 paralisou o tráfego aéreo europeu por semanas, fica logo ali. O Katla, ainda mais poderoso e com erupção esperada a qualquer momento, também. 


A Skógafoss vem em seguida. Sessenta metros de queda d'água, 25 de largura, e uma escada metálica na lateral que leva ao topo onde a cachoeira desaparece em direção ao planalto. É uma das cachoeiras mais fotografadas do país, apareceu em Thor, em Vikings e em A Vida Secreta de Walter Mitty. O almoço é no Skógar Bistro, poucos metros dali. 

Reynisfjara é uma parada rápida no roteiro, mas ao mesmo tempo, imperdível. A praia de areia negra vulcânica com suas colunas de basalto hexagonais empilhadas como órgão de catedral é visualmente uma das paisagens mais originais da Islândia. Mas, cuidado com as ondas! As sneaker waves, ondas que chegam sem sinal prévio e muito mais longe do que as anteriores, são relativamente frequentes e já causaram acidentes fatais. Respeite as instruções de segurança e não vire as costas para o mar. 


Vík vem ao fim da tarde, e com ela duas das paradas mais inusitadas do roteiro. O Lava Show é um espetáculo onde lava derretida a 1.100 graus é manipulada ao vivo num espaço fechado de 30 lugares. É simultaneamente científico e completamente absurdo de se ver de perto. O Gígjagjá, chamado de Yoda Cave por razões visuais que ficam óbvias quando você chega, é uma formação de rocha basáltica que enquadra a paisagem de forma bem cinematográfica. E o Fjaðrárgljúfur, o canyon de 100 metros de profundidade e 2 quilômetros de extensão formado há 9.000 anos pelo degelo, fecha o dia antes do hotel. 


Dia 2 — A geleira, a lagoa e o fim do mundo 



O segundo dia começa cedo, mas por um bom motivo: o tour da caverna de gelo parte de Jökulsárlón, e os horários de saída no inverno são limitados. Quem atrasa perde. O café da manhã no hotel é rápido e a estrada para o leste começa antes que o sol tenha subido direito. 


Jökulsárlón fica a cerca de 80 quilômetros de Klaustur pela Ring Road. A lagoa glacial se formou na segunda metade do século XX quando a geleira Breiðamerkurjökull, uma língua do Vatnajökull, começou a recuar por causa do aquecimento global. O recuo foi gradual a princípio e acelerou nas últimas décadas: a lagoa que existe hoje é muito maior do que a de 50 anos atrás, e os icebergs que flutuam nela são pedaços de uma geleira que está encolhendo de forma mensurável. Aproveite o passeio de barco anfíbio no verão, ou observe os blocos de gelo derivando em câmera lenta no inverno. 


A caverna de gelo parte daqui. O ponto de encontro é o Glacier Lagoon Café, ao lado da lagoa. Veículos adaptados com pneus gigantes fazem o percurso pelo terreno glacial até a entrada da caverna, um trajeto que no inverno, com neve cobrindo o chão, já é parte da experiência. O que esperar quando a caverna aparece está descrito em detalhes mais abaixo neste artigo. 


O almoço é em Höfn, a cidade pesqueira mais remota do roteiro. Höfn significa porto em islandês, tem pouco mais de 2.000 habitantes e uma reputação desproporcional ao seu tamanho por causa do lagostim do Atlântico Norte servido fresco nos restaurantes locais. 

Depois do almoço é hora de visitar Vestrahorn. A montanha de 454 metros de basalto e granito fica na ponta de uma língua de terra cercada de lagoas rasas que, com o céu certo, refletem a silhueta da montanha. É menos visitada do que os outros pontos da costa sul e por isso preserva algo que Jökulsárlón e Reynisfjara perderam um pouco: a sensação de ter chegado a um lugar que nem todo mundo conhece. 


A Diamond Beach fica logo antes do retorno a Klaustur. Tecnicamente é uma extensão de Jökulsárlón. Os mesmos icebergs que derivam pela lagoa encontram o mar numa saída estreita e são devolvidos às praias em pedaços menores, transparentes e polidos pelas ondas, espalhados sobre a areia negra como esculturas temporárias. A cor do gelo ali é azul, um tom que só gelo muito velho tem, e fica mais aparente quando a luz atravessa o bloco. Cada visita é diferente da anterior porque as peças mudam de um dia para o outro. E de um ano para o outro também. 


Dia 3 — A volta com o que ficou para trás 



O terceiro dia inverte a direção do trajeto. A prioridade é o ATV até a carcaça do avião em Sólheimasandur, uma praia de areia negra onde um DC-3 da Marinha americana pousou de emergência em novembro de 1973. A tripulação sobreviveu; o avião ficou. Em décadas de abandono, a ferrugem e o vento transformaram o que era um acidente em uma escultura de ferro no meio de uma planície escura sem nada em volta. A pé, o percurso até o avião leva cerca de uma hora cada trecho. 


O almoço é no Hotel Skálakot, um hotel-fazenda no caminho de volta a Reykjavík com cavalos islandeses do lado de fora e uma cozinha que usa o que é produzido na própria fazenda. 


Seljalandsfoss fecha o roteiro. A cachoeira é a única da Islândia que permite circular por trás da queda d'água. Há um corredor de rocha úmida que contorna o fluxo, com espaço suficiente para caminhar sem se molhar muito, desde que o vento não esteja soprando na direção errada. Quem tem mais tempo pode procurar a Gljúfrabúi, uma segunda cachoeira escondida dentro de uma fenda de pedra a 500 metros dali. A entrada requer atravessar um riacho pequeno; poucos visitantes sabem que ela existe. O retorno a Reykjavík é depois daí.


Melhor época para fazer o roteiro pela costa sul da Islândia 

A costa sul funciona nas duas épocas, mas entrega experiências diferentes. No verão, entre junho e agosto, os dias têm até 22 horas de luz, as trilhas de glaciar estão todas abertas, as estradas secundárias são acessíveis e a vegetação transforma a paisagem de cinza e preto em verde intenso. O lado negativo é que a caverna de gelo não existe nessa época, a aurora boreal também não, e os pontos mais fotogênicos ficam lotados nas horas centrais do dia. 


No inverno, entre outubro e abril, as noites são longas o suficiente para a aurora boreal aparecer. Na costa sul, longe das luzes de Reykjavík, as condições são boas. Além disso, as cavernas de gelo estão disponíveis, e a neve cobre o planalto e transforma a paisagem. O preço a pagar é o frio, a imprevisibilidade climática mais acentuada e algumas trilhas fechadas. 


O que é a caverna de gelo e o que esperar 

A pergunta mais comum de quem pesquisa o roteiro da costa sul no inverno é esta: como funciona a caverna de gelo? A resposta começa no verão, quando o degelo cria rios que correm dentro da geleira. No inverno, esses rios congelam 

novamente. O processo molda câmaras e túneis no interior do gelo, gerando formações novas a cada ano, diferentes das anteriores e impossíveis de replicar. A caverna que existe no inverno de 2025 não existia no inverno de 2024 e não existirá no inverno de 2026. 


O gelo nas paredes da caverna é azul porque é velho e comprimido. O gelo jovem, com bolhas de ar aprisionadas, é branco. No gelo antigo, com séculos de neve compactada, o ar é espremido para fora ao longo do tempo e absorve os comprimentos de onda quentes da luz, o vermelho e o amarelo, e deixa passar apenas o azul. Quanto mais denso e antigo o gelo, mais profundo o azul. Esse é o caso da Vatnajökull, a maior geleira da Europa com espessura de até mil metros. O azul dentro da caverna é o tipo de cor que não tem referência em nenhum lugar.


O passeio parte do Glacier Lagoon Café, ao lado de Jökulsárlón. Veículos adaptados com pneus de grande porte, modificados especificamente para o terreno glacial, fazem o percurso até a entrada. Crampons são fornecidos no local antes da caminhada. O interior da caverna é úmido, com gotejamento constante; roupas impermeáveis e luvas são obrigatórias. A temporada vai de outubro a abril. Fora desse período, o acesso é proibido por razões de segurança. 


Onde dormir e o que comer na rota 

Kirkjubæjarklaustur, ou apenas Klaustur, para todo mundo que não quer tentar pronunciar, fica no ponto mais estratégico possível para quem está fazendo esse roteiro. São cerca de 70 quilômetros até Vík e pouco mais de 100 até Jökulsárlón, o que significa que os dois dias de atrativos são acessíveis sem percursos absurdos. A vila em si tem menos de 150 habitantes e uma única rua principal, mas tem hotel, restaurante e o essencial para uma pernoite confortável numa viagem ao interior da Islândia. 


O Hótel Klaustur é uma referência da região. Hotel boutique de 57 quartos com restaurante que usa 80% de ingredientes locais, piscina geotérmica e vista para o campo vulcânico ao redor. Em 2025 recebeu o World Luxury Hotel Award na categoria Boutique Hotel, o que não é detalhe numa região com opções limitadas. O Magma Hotel, a alguns quilômetros de distância, é a alternativa com design mais contemporâneo e uma arquitetura que usa a paisagem como elemento central. 


Na alimentação, o roteiro resolve o problema das opções escassas fora das cidades. Almoço no Skógar Bistro no primeiro dia, lagostim em Höfn no segundo, almoço na fazenda Skálakot no terceiro. Entre esses pontos, a costa sul tem pouca coisa. Quem faz o percurso de forma independente aprende isso na primeira viagem. Já quem faz o tour da Untold não precisa aprender da forma difícil. 


Como fazer o South Coast sem carro e com guia em português

A resposta honesta é que, sozinho, é muito difícil. A costa sul da Islândia não tem infraestrutura de transporte público fora de Reykjavík. Os principais atrativos ficam fora de qualquer linha regular de ônibus, as distâncias entre eles não permitem deslocamento a pé e o táxi da capital até Jökulsárlón sairia por mais do que o voo intercontinental. O carro alugado resolve o problema logístico, mas exige atenção às condições das estradas no inverno e disposição para lidar com cancelamentos e desvios por conta própria. 


A alternativa é um tour organizado. A Untold opera exatamente esse roteiro de 3 dias com guia brasileiro, grupos pequenos, hospedagem no Hótel Klaustur, todas as atividades incluídas e a logística de alimentação resolvida ao longo do caminho. A diferença de ter um guia brasileiro nesse contexto específico ajuda a compreender as condições climáticas que mudam rápido, atividades que dependem de janelas de tempo estreitas e decisões de roteiro que precisam ser tomadas na hora. 


Se é isso que você está buscando para a sua viagem à Islândia, conheça o tour South Coast 3 dias da Untold e veja as datas de saída disponíveis. 


Perguntas frequentes 

Quantos dias são necessários para fazer o South Coast da Islândia? 

O mínimo recomendado é três dias. Em um dia a partir de Reykjavík, é possível cobrir o trecho até Vík com as cachoeiras e Reynisfjara, mas Jökulsárlón, a caverna de gelo, Diamond Beach e Vestrahorn ficam fora. Quem tenta fazer tudo em um dia chega em Höfn depois de escurecer sem ter visto quase nada. 


A caverna de gelo da Islândia está aberta o ano inteiro? 

Não. As cavernas naturais no Vatnajökull são acessíveis apenas no inverno, entre outubro e abril, quando o gelo está estável o suficiente para ser percorrido com segurança. No verão, o degelo torna o acesso perigoso. Cada inverno forma uma caverna diferente da anterior, não é possível visitar a mesma caverna duas vezes. 


Precisa de carro para fazer o South Coast?

Para viagem independente, sim. Não há transporte público regular entre os atrativos da costa sul. A alternativa é um tour organizado, que resolve transporte, hospedagem e atividades em um único pacote, e no caso da Untold, com guia brasileiro do começo ao fim. 


Qual o melhor ponto para se hospedar durante o roteiro?

Kirkjubæjarklaustur, no centro geográfico da rota, é o ponto mais estratégico. Fica a cerca de 70km de Vík e 100km de Jökulsárlón, o que mantém os dois dias de atrativos acessíveis sem percursos excessivos. O Hótel Klaustur, na vila, é a opção de referência da região. 


Dá para ver aurora boreal no South Coast? 

Sim. Kirkjubæjarklaustur e a região ao redor ficam longe dos centros urbanos, o que reduz a poluição luminosa e melhora as condições de observação. A temporada de aurora vai de setembro a março, com pico de atividade entre novembro e fevereiro. 


O tour South Coast da Untold inclui passagem aérea? 

Não. A Untold opera os roteiros terrestres na Islândia a partir de Reykjavík. A passagem aérea é organizada separadamente pelo viajante, o que permite flexibilidade de origem, conexão e uso de pontos de milhas. 


A Islândia exige visto para brasileiros? 

Não. Brasileiros entram na Islândia sem visto para estadias de até 90 dias, pois o país faz parte do Espaço Schengen. É necessário passaporte válido e seguro viagem com cobertura mínima de 30 mil euros. O sistema de autorização eletrônica ETIAS, previsto para entrar em vigor em 2026, não estava em operação no momento da publicação deste artigo.

 
 

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