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O que fazer em Reykjavík: o guia completo da capital da Islândia

Aug 31
6 min read

Updated: 2 days ago

Quem pesquisa o que fazer em Reykjavík geralmente acredita que a cidade é só a porta de entrada, o lugar onde se dorme antes de sair correndo atrás de cachoeira, geleira e aurora boreal. Faz sentido, a Islândia vendeu sua imagem em cima da natureza bruta e Reykjavík, com seus 130 mil habitantes espalhados por um punhado de bairros andáveis, nunca vai competir em escala com Paris ou Roma. 


Mas reduzir a capital mais setentrional do mundo a uma escala é desperdiçar a cidade nórdica antes de se perder nas paisagens do interior. Reykjavík tem uma arquitetura ousada que conversa com os vulcões, uma cena gastronômica que leva os ingredientes locais a sério e uma vida de bairro que conta mais sobre o jeito islandês de viver do que qualquer geleira jamais vai contar. 


Este guia separa o que realmente vale o seu tempo na cidade, do tipo de atração que aparece em toda lista até o que só quem mora ali sabe indicar. 




O que fazer em Reykjavík: principais atrações da capital da Islândia

Existe um motivo pelo qual as mesmas cinco ou seis atrações aparecem em praticamente todo roteiro de Reykjavík. Elas concentram a história, a arquitetura e o espírito da cidade num raio de poucos quarteirões, o que é raro até para padrões europeus. 


Hallgrímskirkja, a igreja que imita lava 

A Hallgrímskirkja é o primeiro ponto de referência visual de quem caminha por Reykjavík, e não é exagero. Com 74 metros de altura, a torre se vê de quase qualquer esquina do centro. 


O arquiteto Guðjón Samúelsson projetou a fachada em colunas de concreto inspiradas nas formações basálticas que cobrem boa parte da paisagem islandesa, então a igreja não é só um marco religioso, é um monumento à geologia do país.


A entrada é gratuita, mas subir até o mirante da torre tem custo à parte e vale cada coroa, porque é de lá que se entende a verdadeira escala da cidade, pequena, baixa, espremida entre o mar e as montanhas ao fundo. 


Harpa Concert Hall 

O Harpa fica no porto e funciona como o contraponto moderno da Hallgrímskirkja. A fachada de vidro, inspirada nas formações de basalto e na luz nórdica, muda de cor conforme o horário e o clima, o que torna o edifício quase um personagem vivo da paisagem urbana. 


É sede da Orquestra Sinfônica da Islândia e da Ópera Islandesa, mas não é preciso comprar ingresso pra nada pra valer a visita. 

Caminhar pelo saguão, olhar o mar através dos painéis de vidro e conferir a programação de concertos e exposições já justifica a parada. 


Sun Voyager (Sólfar), a escultura com uma história mais sombria do que parece 

A escultura em forma de barco que fica na orla, entre o Harpa e o centro, é um dos pontos mais fotografados da cidade e também um dos mais mal interpretados. 


Muita gente presume que o Sólfar representa um navio viking, mas o artista Jón Gunnar Árnason nunca teve essa intenção. Ele descreveu a obra como um barco do sonho, uma promessa de território inexplorado e um aceno ao sol. 


O detalhe que poucos contam é que Árnason criou a escultura enquanto enfrentava leucemia, o que levou parte da crítica islandesa a interpretar o Sólfar também como uma embarcação para o outro lado, um símbolo de passagem. Funciona muito bem como um point para ver o pôr do sol. 


Laugavegur e Rainbow Street 

A Laugavegur é a rua comercial mais antiga de Reykjavík e ainda concentra a maior densidade de lojas, bares e restaurantes da cidade. O nome significa estrada de lavar, uma referência ao tempo em que os islandeses levavam roupa para lavar nas fontes termais que ficavam no fim dessa via. 


Hoje é ali que se concentra a vida comercial da capital, com lojas de design islandês ao lado de brechós e cafés de bairro. A poucos metros dali fica a Skólavörðustígur, conhecida como Rainbow Street por causa do asfalto pintado nas cores do arco-íris, que liga o centro direto à Hallgrímskirkja e costuma render a melhor foto da viagem inteira sem nenhum esforço. 


Old Harbour, observação de baleias e o cais histórico 

O antigo porto de pesca de Reykjavík se reinventou nos últimos anos sem perder o ar industrial que sempre teve. 


É de lá que partem a maioria dos passeios de observação de baleias, uma das experiências mais procuradas por quem visita a Islândia no verão. Mas o Old Harbour também vale por si só, com seus galpões convertidos em espaços culturais, museus marítimos e um mercado local onde dá pra sentir o cheiro de peixe fresco mesmo sem comprar nada. 


Conhecendo os bairros de Reykjavík 

Vale entender, ainda que rapidamente, como a cidade se organiza, porque isso muda a forma como você caminha por ela. O centro histórico, conhecido pelo código postal 101, concentra a Laugavegur, a Hallgrímskirkja e a vida noturna, e é onde a maioria dos visitantes passa o tempo todo. 


A oeste fica Vesturbær, mais residencial e tranquilo, com a piscina pública Vesturbæjarlaug onde os próprios islandeses se encontram fora do circuito turístico. Na faixa litorânea a oeste do centro está o Grandi, o antigo distrito industrial do porto que virou point de arte contemporânea e food hall. E a leste, ao redor do que já foi o terminal de ônibus, fica o Hlemmur, em plena transformação urbana e cada vez mais conhecido pela cena gastronômica acessível.


Nenhum desses bairros exige um deslocamento longo, a cidade inteira cabe numa caminhada de vinte minutos de ponta a ponta, mas saber onde cada coisa acontece ajuda a planejar o dia sem ficar repetindo trajeto à toa. 


Onde comer em Reykjavík 

A culinária islandesa e a cena gastronômica de Reykjavík surpreendem quem chega sem expectativa. 


O cachorro-quente mais famoso da Islândia 

O Bæjarins Beztu Pylsur, perto do Old Harbour, é um dos poucos consensos turísticos que realmente se sustentam. A receita leva cordeiro, cebola crocante e um molho próprio, e a fila que se forma ali em qualquer horário do dia é prova de que islandeses e turistas concordam em pelo menos uma coisa. 


Food halls: Grandi Mathöll e Hlemmur Mathöll 

Os dois principais mercados gastronômicos da cidade resolvem bem o problema de quem quer experimentar várias coisas sem comprometer o orçamento inteiro num único restaurante. 


O Grandi Mathöll, no distrito do mesmo nome, reúne bancas que vão de tacos de peixe a pratos vietnamitas. O Hlemmur Mathöll, mais central, tem um perfil parecido e fica a poucos passos da Laugavegur, o que facilita encaixar uma refeição no meio de um dia de caminhada. 


Uma experiência fine dining, se a viagem pedir 

Para quem quer reservar uma noite mais especial, Reykjavík tem opções de cozinha autoral que trabalham peixe local, cordeiro e até produtos mais incomuns como baleia e arenque curado, sempre com uma pegada nórdica contemporânea. 


Não é o tipo de jantar que cabe em toda viagem, mas vale considerar pelo menos uma vez, principalmente porque a cena gastronômica islandesa vive um momento de bastante criatividade. 


Dicas práticas para circular pela cidade

Reykjavík é uma cidade extremamente caminhável. O centro é compacto o bastante pra resolver a maior parte do roteiro a pé, e isso poupa tempo e dinheiro com estacionamento, que costuma ser pago na maioria das ruas centrais. 


O entrave de verdade não é a distância, é o clima. O vento islandês pode ser cortante, então mesmo em dias com poucos graus negativos a sensação térmica pode surpreender quem não está acostumado. 


Vale planejar o roteiro intercalando trechos externos com paradas em museus, cafés ou igrejas para se aquecer, principalmente entre outubro e março. Sobre dinheiro, cartões de crédito são aceitos em praticamente qualquer lugar, incluindo bancas de rua e até banheiros públicos, então carregar dinheiro vivo deixou de ser necessário há anos. 

A moeda local é a coroa islandesa, e vale conferir a cotação perto da viagem, já que ela costuma variar mais do que o euro ou o dólar. 


Quanto tempo reservar para Reykjavík 

A pergunta certa não é quantos dias passar em Reykjavík, é quando passar por ela. A cidade funciona melhor como base de operação do que como destino isolado, o lugar de onde partem o Golden Circle, a Costa Sul e a Península de Snæfellsnes, e pra onde se volta no fim de cada dia de estrada. 


Reservar o primeiro dia da viagem pra conhecer a capital com calma, antes de sair pelo interior do país, ajuda a entender o contexto histórico e cultural que dá sentido ao resto do roteiro. 


É também o momento ideal pra fazer isso com um guia que conhece a cidade de verdade porque Reykjavík tem surpresas que não aparecem em nenhuma placa. 


Como conhecer Reykjavík sem perder tempo 

Dá pra tentar decifrar os ônibus locais, caminhar no vento gelado com o mapa do celular travando ou simplesmente começar a viagem com alguém que já fez esse trajeto centenas de vezes.


O City Tour da Untold passa pelos pontos que esse guia cobriu, Hallgrímskirkja, Harpa, Sun Voyager, Laugavegur, Rainbow Street, além de paradas que não entram no roteiro padrão, como o Höfði House e o museu a céu aberto de Árbæjarsafn, tudo com guia em português e sem a logística de descobrir tudo sozinho. É o jeito mais tranquilo de transformar o primeiro dia de viagem no ponto de partida certo pro resto da Islândia.


 
 

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