O Golden Circle na Islândia: guia completo com roteiro e dicas
Updated: 5 days ago
O nome é grandioso, mas não pelo motivo que você pensa. O Golden Circle, o Círculo Dourado da Islândia, não foi batizado assim por causa de nenhuma riqueza ou por sua geometria. Vem da cachoeira Gullfoss, que em islandês significa exatamente isso: cachoeira dourada. Uma queda d'água que, dependendo do ângulo do sol, se tinge de laranja e amarelo.
Mas o fato é que a Golden Circle é a rota mais famosa da Islândia, e por boas razões. Em um dia, saindo e voltando a Reykjavík, ela passa por um parque nacional onde surgiu o primeiro parlamento do mundo; por uma área geotérmica com um gêiser que entra em erupção a cada poucos minutos e pela cachoeira de Gullfoss, que deu nome a tudo. São aproximadamente 300 km no total, três paradas completamente diferentes entre si, e uma concentração de história e geologia que poucos roteiros de dia inteiro conseguem reunir.
Este guia cobre tudo que você precisa saber para fazer o Golden Circle: o que ver em cada parada, quanto tempo reservar, quando ir e como organizar o dia dependendo do seu estilo de viagem.
O que é o Golden Circle
O Golden Circle é uma rota em loop no sudoeste da Islândia, com ponto de partida e chegada em Reykjavík. O percurso básico, cobrindo apenas as três atrações principais, tem cerca de 230 km. Se você incluir os desvios mais populares, chega a 300 km.
A rota conecta três destinos muito distintos: o Parque Nacional Þingvellir, a área geotérmica de Geysir e a cachoeira Gullfoss. Cada um deles oferece um tipo
diferente de experiência. É essa variedade que faz a combinação funcionar tão bem como um programa de um dia só.
É acessível o ano todo e as estradas são bem sinalizadas, o que a torna uma das rotas mais fáceis para quem está dirigindo pela primeira vez na Islândia. No inverno, porém, as condições de estrada mudam bastante. Veja mais sobre isso adiante.
As três paradas principais do Golden Cicle
Þingvellir: onde nasceu a democracia e a terra se divide
Þingvellir é a parada mais densa do roteiro, no bom sentido. Ela proporciona duas experiências completamente independentes, e você pode escolher se aprofundar em qualquer uma delas (ou nas duas).

A parte geológica: o parque fica sobre a fronteira entre a placa tectônica norte-americana e a euroasiática. As duas estão se afastando a uma taxa de cerca de 2 centímetros por ano, e o resultado visível são fissuras, desníveis e ravinas que cortam a paisagem. A mais famosa delas, a Almannagjá, forma uma espécie de corredor de rocha por onde você caminha. Se você for ao ponto de snorkeling da fissura de Silfra (que requer agendamento à parte), pode mergulhar entre os dois continentes.
A parte histórica: em 930 d.C., os chefes dos clãs islandeses escolheram esse vale para criar o Althingi, considerado o parlamento mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Antes de ter um prédio ou uma capital, a Islândia já tinha uma assembleia anual onde as leis eram proclamadas em voz alta sobre uma pedra, a Lögberg, a Pedra da Lei. Ali, as disputas dos clãs eram resolvidas em público. Foi aqui também que, em 1944, a independência da Dinamarca foi declarada, fechando um ciclo de mil anos no mesmo lugar.
Þingvellir se tornou Patrimônio Mundial da UNESCO em 2004. O acesso ao parque é gratuito; apenas o estacionamento tem taxa. Reserve entre 1h30 e 2 horas para essa parada.
Área Geotérmica de Geysir: o gêiser que deu nome a todos os outros

O Great Geysir existe há pelo menos mil anos. Foi a primeira erupção registrada e documentada de um gêiser, e seu nome acabou virando o nome do fenômeno em praticamente todos os idiomas: geyser, geiser, gêiser. Hoje ele quase não entra em erupção. É que foi ficando dorminhoco ao longo do século XX, e agora só acorda em raras ocasiões, em geral após a ocorrência de terremotos.
O vizinho dele, o Strokkur, é quem garante o espetáculo. A cada 5 ou 10 minutos ele expele uma coluna de água fervente que pode chegar a 40 metros de altura. O ritual dos visitantes é montar um semicírculo ao redor da bolha de água que se forma antes da erupção e esperar. E não se preocupe, a erupção é intensa o suficiente para impressionar independentemente de quantas pessoas estejam ao redor.
A área geotérmica em volta dos dois gêiseres tem fumarolas, piscinas de lama borbulhante e fontes de cores incomuns causadas por diferentes tipos de bactérias termofílicas. A entrada é gratuita. Há hotel, restaurante, café e loja de lembrança no complexo. Reserve cerca de 45 minutos a 1 hora para essa parada.
Gullfoss: uma cachoeira que quase virou usina

Gullfoss fica a apenas 10 km de Geysir, e faz sentido visitá-las em sequência. A cachoeira cai em dois degraus sobre o rio Hvítá: a primeira queda tem 11 metros, a segunda, 21 metros. Antes de atingir o segundo degrau, o rio faz uma curva abrupta que cria um efeito visual que faz parecer que a água desaparece na terra.
A história que poucos guias contam direito: no início do século XX, um grupo de investidores queria transformar a cachoeira em uma usina hidrelétrica. Sigríður Tómasdóttir, filha do fazendeiro dono das terras, se opôs com uma determinação que virou lenda. Ela teria dito que se o projeto avançasse, jogaria seu corpo na cachoeira junto com a água. O projeto acabou sendo cancelado por razões menos dramáticas, envolvendo financiamento, mas a história dela ficou. Hoje há uma placa em sua homenagem próxima à borda da cachoeira, e ela é considerada uma das primeiras ambientalistas da Islândia.
No verão, com o volume máximo de água, dá para chegar perto o suficiente para se molhar com a névoa. No inverno, o cenário é completamente outro: gelo, neve, e a menos volume. Cada época têm seu charme. Reserve entre 45 minutos e 1 hora para essa parada.
Quanto tempo reservar para o Golden Circle
A maioria dos visitantes completa as três paradas em 6 a 8 horas saindo de Reykjavík. Para quem quer ir com calma, almoçar e ainda pegar um desvio ou dois, uma viagem de dia inteiro, levando entre 8 e 10 horas, é uma estimativa mais realista.
As distâncias entre as paradas são curtas. De Reykjavík até Þingvellir são cerca de 47 km, aproximadamente 45 minutos de carro. De Þingvellir até a área geotérmica de Geysir são cerca de 65 km, pouco mais de 1 hora. De Geysir até Gullfoss são apenas 10 km, uns 15 minutos. O retorno de Gullfoss a Reykjavík fecha o loop com aproximadamente 125 km, algo entre 1h15 e 1h30 dependendo da rota escolhida.
A ordem mais comum é exatamente essa (Þingvellir, Geysir, Gullfoss) e faz sentido logístico porque vai afunilando o dia: a parada mais cansativa fica para o começo da viagem, e as duas últimas são as mais tranquilas.
Desvios no roteiro do Golden Cicle que valem a pena incluir no roteiro
Se você tiver 10 a 12 horas disponíveis, alguns desvios enriquecem bastante o dia sem exigir planejamento extra elaborado.
A Cratera Kerið fica a uns 10 minutos do percurso principal, entre Gullfoss e Reykjavík. É uma cratera vulcânica com um lago no fundo de cor azul-turquesa contrastando com as paredes de rocha vermelha, um cenário bonito e excelente para fotografias. Há entrada paga.
A Secret Lagoon é a piscina termal natural mais antiga da Islândia, em operação desde 1891. É uma alternativa mais vazia e barata do que a Blue Lagoon. Para quem quer um mergulho em água quente com menos fila, essa é a opção.
O Laugarvatn Fontana é um spa geotérmico às margens de um lago, com saunas onde o vapor vem direto do solo. É mais caro que a Secret Lagoon, mas tem uma estrutura melhor e um ambiente mais bonito.
A Fazenda Friðheimar é um restaurante dentro de uma estufa de tomates cultivados com energia geotérmica. O menu gira quase inteiramente em torno de tomate, com sopa, pizza, cerveja e até gin de tomate. A experiência de almoçar rodeado de tomateiros floridos no inverno é algo que você dificilmente vai ver em outro lugar. Vale reservar com antecedência.
Melhor época para fazer o Golden Circle
A rota funciona o ano inteiro, mas a experiência muda de acordo com a estação.
No verão, de junho a agosto, os dias são longíssimos. O sol quase não se põe em junho, e a paisagem fica verde, cheia de flores silvestres e pequenos riachos. A luz é bonita, mas os atrativos mais famosos ficam cheios. Não há muitas chances de aurora. E quem vai no verão e quer evitar fila em Þingvellir deve chegar cedo, de preferência antes das 9h.
No outono, de setembro a outubro, o equilíbrio é bom: menos gente, temperatura suportável, e as noites já ficam escuras o suficiente para que, na volta a Reykjavík, as primeiras auroras boreais apareçam. Outubro costuma ser um dos meses mais interessantes para quem quer misturar o Golden Circle com a caça às luzes.
No inverno, de novembro a março, a paisagem muda bastante. A neve cobre o caminho até Þingvellir, o vapor do Strokkur some no ar frio numa nuvem gigante, e a Gullfoss fica parcialmente congelada. Essa é a melhor época para se observar a aurora, mas há uma ressalva importante: os dias são curtíssimos (em dezembro, menos de 5 horas de luz), as estradas podem ser escorregadias e um carro 4x4 é recomendado em dias de neve pesada.
Na primavera, de abril a maio, a neve vai recuando, a luz volta devagar e os visitantes ainda são poucos. É uma boa opção para quem quer tranquilidade sem abrir mão de dias mais longos.
Tour guiado ou carro alugado? O que faz mais sentido para brasileiros
As duas opções funcionam, e a escolha depende do perfil do viajante.
Alugar um carro dá liberdade total de ritmo: você para onde quiser, fica quanto tempo quiser em cada ponto e não precisa cumprir o horário de ninguém. A CNH brasileira é aceita na Islândia, mas as locadoras podem exigir que esteja acompanhada de uma Permissão Internacional para Dirigir. Vale tirar antes de embarcar.
No inverno, algumas estradas exigem tração nas quatro rodas, e dirigir em superfícies congeladas é uma habilidade que a maioria dos brasileiros não tem no currículo. O site safetravel.is publica condições de estrada em tempo real.
O tour guiado tira da sua mão a logística, a preocupação com o volante e a responsabilidade de entender os apps de clima e condição de estrada. O que você perde é o ritmo: em grupo, o tempo em cada parada é fixo.
Para brasileiros, existe um terceiro fator que costuma ser subestimado: o idioma. Fazer o Golden Circle com um guia que fala português muda a profundidade da experiência. A história de Sigríður e a cachoeira, o que acontecia politicamente na Islândia quando o Althing foi criado, por que o Strokkur entra em erupção naquela frequência específica… Todas essas histórias têm uma dimensão diferente quando você as ouve na sua língua, com espaço para perguntas e conversas.
Os tours da Untold fazem o Golden Circle com guias em português, saindo de Reykjavík. Se você prefere passar o dia sem se preocupar com mapa, gasolina ou estrada congelada e ainda ouvir tudo em português, essa é a opção feita para você.
Dicas práticas para o dia do passeio pelo Golden Circle
Roupa em camadas é regra mesmo no verão islandês: a temperatura pode mudar em minutos, e o vento na borda da Gullfoss é intenso. Base térmica, camada intermediária e uma jaqueta impermeável são o mínimo. Lembre-se de levar também calçados impermeáveis.
A bateria do celular e da câmera descarrega muito mais rápido do que o normal no frio da Islândia. Leve uma bateria extra na mochila e coloque-a junto ao corpo. O calor corporal ajuda a manter a carga.
No verão, protetor solar é necessário mesmo em dias nublados. O sol da meia-noite pega de surpresa, especialmente em junho.
Se quiser almoçar no restaurante do Geysir, considere reservar com antecedência nos meses de pico, entre julho e agosto. Nos outros meses, costuma ter mesa, mas nunca é garantido.
Para acompanhar condições de estrada e previsão do tempo: vedur.is é o site meteorológico oficial islandês e tem uma seção específica para aurora boreal se você for no outono ou inverno.



