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Roteiro Islândia de 7 dias: o que ver e fazer

Aug 31
9 min read

Updated: 2 days ago

No mapa, a Islândia parece um país pequeno o suficiente para ser desbravado em uma só viagem. A Ring Road fecha a volta completa em cerca de 1.300 quilômetros e a tentação de abraçar tudo em uma semana é quase irresistível. Quando a gente coloca o roteiro no papel, dá a impressão que a conta fecha. Na estrada, ela vira uma média de quase 200 quilômetros por dia, cachoeiras visitadas com pressa e a sensação recorrente de não ter visto tudo com a calma que cada parada merecia. 




Este roteiro propõe uma estratégia diferente. Em 7 dias, a melhor opção é se concentrar no Golden Circle e na Costa Sul, o trecho com a maior densidade de paisagem por quilômetro rodado do país. Nele, você vai se deparar com cachoeiras que escondem caminhos por trás da cortina de água, praias de areia preta, uma lagoa cheia de icebergs à deriva, cavernas de gelo azul e, no meio do caminho, gêiseres em atividade e o vale onde os islandeses fundaram um dos parlamentos mais antigos do mundo. Ainda sobra tempo para Reykjavík, que costuma ser tratada como escala e merece bem mais que isso. 


A melhor notícia é que cada etapa deste roteiro pode ser feita com um tour com guia em português, sem alugar carro, sem dirigir na neve e sem depender do seu inglês (ou islandês) para se virar. 


Por que não dar a volta na ilha em 7 dias? 

A volta completa pela Ring Road é o roteiro mais famoso da Islândia. São cerca de 1.300 quilômetros de estrada principal, sem contar os desvios até as atrações, que raramente ficam na beira da pista. Divididos por 7 dias, viram quase 200 quilômetros diários, o que em condições islandesas não significa duas horinhas tranquilas de carro. Você terá que lidar com vento lateral que balança o veículo, trechos de cascalho, ovelhas atravessando onde bem entendem e, no inverno, gelo na pista e nevascas que fecham estradas e podem atrasar todo o cronograma. 


O inverno ainda impõe um segundo limite, a luz. Em dezembro, o sol nasce por volta das 11h e se põe antes das 16h. Quatro ou cinco horas de claridade para tudo o que você quiser ver naquele dia. Roteiros que funcionam em julho são inviáveis em janeiro, e boa parte dos textos que prometem a ilha inteira em uma semana foi escrita por quem viajou no verão e esqueceu de avisar. 


Por isso, a estrutura desta semana combina uma base em Reykjavík com uma incursão de 3 dias pela Costa Sul, dormindo no caminho. É o desenho que elimina o pior defeito dos roteiros de bate-volta, que é refazer a mesma estrada duas vezes no mesmo dia. 


Dia-a-dia: roteiro Islândia de 7 dias

Dia 1: chegada e primeiro contato com Reykjavík 

O aeroporto internacional de Keflavík fica a uns 50 minutos de Reykjavík, e passa por uma estrada que atravessa campos de lava da península de Reykjanes cheios de rochas vulcânicas, e sem nenhuma árvore à vista. O cenário parece de ficção científica, mas os islandeses chamam simplesmente de caminho de casa. 


Deixe o primeiro dia leve de propósito. O fuso de três horas em relação a Brasília engana, porque a maioria dos voos saindo do Brasil chega pela manhã depois de uma conexão europeia mal dormida. Um passeio a pé pelo centro da capital é uma boa opção para a tarde. 


A Hallgrímskirkja, a igreja de concreto inspirada nas colunas de basalto que você vai encontrar ao vivo dali a três dias em Reynisfjara, é um bom ponto de partida. Dela desce a Rainbow Street com suas fachadas coloridas, e a caminhada segue até a beira-mar, onde a escultura Sun Voyager e a casa de concertos Harpa encerram o circuito. 


Se a energia render mais que isso, guardamos as recomendações completas de cafés, museus e piscinas municipais no nosso guia de o que fazer em Reykjavík. 


Dia 2: mais Reykjavík 

Reykjavík costuma ser tratada como corredor de entrada e saída do país, mas é muito mais que isso. Cerca de dois terços dos islandeses vivem na região da capital. Quem atravessa a cidade correndo perde a chance de entender como funciona o país que veio visitar. 


Para conhecê-la em profundidade, o city tour da Untold é uma boa opção. O passeio dura em torno de 5 horas e inclui as principais atrações. Você verá, por exemplo, o Árbæjarsafn, museu a céu aberto que preservou as casas de turfa e as construções

históricas da cidade, e conta a história de como se sobrevivia a invernos árticos antes do aquecimento geotérmico. 


A Höfði House, uma casa branca discreta de frente para o mar, foi palco do encontro entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev em 1986, uma das reuniões que ajudaram a encaminhar o fim da Guerra Fria. 


O roteiro ainda passa pelo Alþingi, a sede do parlamento, desce a Laugavegur a pé e termina no FlyOver Iceland, um simulador de voo que sobrevoa o país inteiro em imagens panorâmicas, spoiler simpático do que vem nos próximos dias. O drop-off é flexível, dá para descer no Perlan, na Sky Lagoon ou de volta ao centro. 


Para quem prefere seguir por conta própria, a tarde livre rende bem entre os museus marítimos do bairro de Grandi e as piscinas públicas aquecidas, que são a versão islandesa do botequim de esquina. É onde a cidade de fato conversa. 


Dia 3: Golden Circle 

O Golden Circle é a rota mais percorrida da Islândia por conseguir, em um único dia, condensar três fenômenos que em qualquer outro país seriam atração nacional sozinhos. 


A primeira parada é o Parque Nacional de Þingvellir, onde as placas tectônicas norte-americana e euroasiática se afastam alguns centímetros por ano e deixam à mostra um vale de fissuras que dá para percorrer a pé. Foi ali que os islandeses estabeleceram o Alþingi por volta do ano 930, um dos parlamentos mais antigos do mundo. Depois vem a área geotermal de Geysir, cujo gêiser original, hoje adormecido, deu nome ao fenômeno no mundo inteiro. Já o vizinho Strokkur jorra uma coluna de água fervente de poucos em poucos minutos. A terceira parada é Gullfoss, a cachoeira que despenca em dois estágios para dentro de um desfiladeiro e cuja névoa, em dia de sol, fabrica vários arco-íris. 


O que separa o tour da Untold do passeio genérico de ônibus é o que acontece entre as paradas. O almoço é na fazenda Efstidalur, que só serve aquilo que produz. A parada seguinte é a estufa de Friðheimar, onde tomates crescem sob luz artificial e calor geotérmico no meio do inverno ártico, e onde a sopa tem fama no país inteiro. O dia fecha na Laugarás Lagoon, uma lagoa termal longe do circuito das multidões, com jantar no restaurante Ylja antes da volta.


No inverno, o retorno a Reykjavík vira uma segunda atração. O tour se estende para caçar aurora boreal quando o céu colabora. 


Dias 4, 5 e 6: Costa Sul com pernoite, o coração da viagem 

Aqui está a decisão que separa este roteiro da maioria. Em vez de dois bate-voltas exaustivos saindo da capital, os três dias seguintes avançam pela Costa Sul dormindo no caminho, no formato do nosso roteiro de 3 dias pela Costa Sul, que a Untold opera como tour com duas noites incluídas. É o trecho mais espetacular do país e, por isso, deve ser visto com calma. 


Dia 4: cachoeiras, areia preta e lava de verdade 

A manhã começa no Lava Centre, em Hvolsvöllur, um museu interativo que explica o que exatamente está fervendo sob os seus pés e por que a Islândia existe. A primeira grande parada natural é Skógafoss, uma cachoeira de 60 metros que você pode atravessar de perto, mas saiba que vai sair encharcado (e provavelmente muito feliz). 


Depois do almoço, a estrada leva a Reynisfjara, a praia de areia preta com colunas de basalto que parecem esculturas. A tarde segue por Vík, a vila mais ao sul do país, onde o Lava Show despeja lava incandescente de verdade a poucos metros da plateia, um espetáculo que soa turístico, mas que vale a pena. 


Ainda cabem no dia a Gígjagjá, a caverna que ficou conhecida como Yoda Cave pelo formato da abertura, e o cânion Fjaðrárgljúfur, com suas paredes de musgo que se estendem por dois quilômetros. A noite termina em hotel na região de Kirkjubæjarklaustur, com jantar incluído e, com sorte e céu limpo, aurora na janela. 


Dia 5: o dia do gelo 

O quinto dia é o mais fotogênico. No inverno, ele começa com a experiência nas caverna de gelo, com guia certificado e grampões nos pés, saindo da lagoa de Jökulsárlón em super jipe. O azul lá dentro não existe em mais nenhum lugar, é a cor da luz filtrada por gelo que foi comprimido por séculos. 


Na sequência vem a lagoa glacial de Jökulsárlón, em que icebergs se desprendem do Breiðamerkurjökull, um braço do Vatnajökull, comumente citado como a maior geleira da Europa, e flutuam lentamente em direção ao mar.


Do outro lado da estrada, a Diamond Beach, os blocos de gelo são depositados pelo  oceano na areia preta e brilham como se fossem diamantes. O almoço é em Höfn, vila pesqueira com fama nacional de lagostim, e a tarde rende a silhueta serrilhada do monte Vestrahorn refletida na areia molhada, com parada em Skaftafell se o dia colaborar. Segunda noite de hotel na região. 


Dia 6: o avião abandonado e a cachoeira que se atravessa 

A volta para Reykjavík guarda um passeio de quadriciclo por Sólheimasandur até a carcaça do DC-3, o avião da marinha americana que fez um pouso forçado na planície de areia preta em 1973. 


A tripulação sobreviveu, mas a fuselagem ficou ali, e meio século de vento ártico transformou o acidente num dos cenários mais estranhos e fotografados do país. 

O almoço é na fazenda Skálakot, e a tarde pertence à Seljalandsfoss, a cachoeira com passagem atrás da queda d’água. Leve capa de chuva e aceite que vai se molhar mesmo assim. O retorno à capital fecha o dia. 


Quem quiser entender melhor a escala do que viu nesses três dias, das línguas de gelo aos campos de areia vulcânica, encontra o contexto completo no nosso guia sobre as geleiras da Islândia. 


Dia 7: Reykjanes e Blue Lagoon na despedida 

A península de Reykjanes é o pedaço da Islândia que quase todo mundo só vê pela janela do avião, o que é uma injustiça. É ali que a dorsal mesoatlântica emerge do oceano, e a paisagem se comporta de acordo. 


Você vai passar pelo lago Kleifarvatn, pela área geotermal de Seltún com suas poças de lama colorida de enxofre, e pela Gunnuhver, uma fonte termal que expele vapor tão furiosamente que, segundo a lenda local, pertence ao fantasma de uma mulher chamada Gunna, aprisionada na fonte por um pastor. 


Perto do farol de Reykjanes, a Ponte entre Continentes permite atravessar a pé, em trinta segundos, a fenda entre as placas da América do Norte e da Eurásia. 


A península fica próxima ao aeroporto de Keflavík, e o tour da Untold encerra na Blue Lagoon, com a entrada como opção. Já imaginou terminar a viagem com um banho termal a 38 graus, cercado de lava negra?


Se essa não é sua praia, você pode substituir Reykjanes pela Península de Snæfellsnes, com um tour de dia inteiro que reúne o monte Kirkjufell, a praia de Djúpalónssandur, os penhascos de Arnarstapi e uma colônia de focas em Ytri Tunga. É a Islândia em miniatura, como os islandeses gostam de dizer. 


Quanto custa esse roteiro?

A Islândia não é um país dos mais baratos. A boa notícia é que quase todas as paisagens deste roteiro são gratuitas, o dinheiro vai embora em hospedagem, comida e transporte. Fizemos as contas completas, com valores por perfil de viajante, no nosso guia de quanto custa viajar para a Islândia. Ele é a leitura obrigatória antes de fechar qualquer reserva. 


Melhor época para fazer este roteiro 

Depende do que você quer da viagem, porque este mesmo roteiro entrega duas Islândias diferentes. 


No inverno, de novembro a março, os dias são curtos, mas o pacote inclui as duas experiências que não existem em nenhuma outra época. A caverna de gelo e a chance de ver a aurora boreal em praticamente todas as noites de céu limpo. 


No verão, de junho a agosto, o sol da meia-noite estica os dias e todas as estradas do roteiro estão abertas. O Golden Circle ganha um extra que só acontece nessa época, a experiência do pão de centeio assado no calor do solo em Laugarvatn Fontana. Em compensação, aurora nem pensar, e os preços de hospedagem sobem junto com a demanda. Primavera e outono ficam no meio do caminho e costumam ser o segredo dos viajantes de bom custo-benefício. 


Perguntas frequentes sobre roteiro na Islândia 

7 dias são suficientes para conhecer a Islândia? 

Para o Golden Circle, a Costa Sul e Reykjavík com calma, sim, e este roteiro prova. Para a ilha inteira, não, e desconfie de quem prometer o contrário. A volta completa pede dez dias ou mais para não virar maratona de estrada. 


Dá para fazer esse roteiro sem alugar carro?

Dá, e ele foi desenhado para funcionar dos dois jeitos. Cada bloco corresponde a um tour da Untold com guia em português, incluindo o trecho de 3 dias pela Costa Sul com as duas noites de hotel já resolvidas. Quem aluga carro usa o mesmo desenho de dias por conta própria. 


Dá para ver a aurora boreal nesse roteiro? 

Entre setembro e abril, sim, com a ressalva de sempre. Aurora é um fenômeno natural e ninguém pode garantir o avistamento. O roteiro joga a favor ao incluir duas noites de hospedagem no interior, longe da luz da cidade, que é onde as chances melhoram de verdade. 


Preciso falar inglês para viajar pela Islândia? 

Viajando de forma independente, o inglês básico ajuda bastante, porque os islandeses falam com fluência quase universal. Viajando com a Untold, não. Os guias falam português, e a diferença aparece menos nas logísticas e mais nas histórias, nas lendas e nas perguntas que você faria se pudesse. Explicamos como isso funciona no nosso artigo sobre tours na Islândia em português


Qual a diferença entre fazer por conta própria e com tours? 

Por conta própria, você ganha liberdade total de horário e assume tudo que vem junto, o volante no gelo, o preço do seguro do carro, a leitura diária da previsão em islandês e o plano B quando uma estrada fecha. Com tour, você troca um pouco dessa liberdade por zero perrengue logístico e por um guia que conhece o país. Não existe resposta certa, existe perfil de viajante. Este roteiro atende os dois.

 
 

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